Um casal gay é obrigado a "devolver" a criança adotada, depois de apenas 12 dias: agora os dois lutam para recuperá-la

por Roberta Freitas

10 Março 2021

Um casal gay é obrigado a "devolver" a criança adotada, depois de apenas 12 dias: agora os dois lutam para recuperá-la
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A decisão de adotar um filho é um passo muito importante para um casal e certamente não uma escolha a ser feita levianamente, sem refletir sobre as consequências dessa ação. Certamente, oferecer um lar acolhedor e muito amor a uma criança que corre o risco de ficar em um orfanato ainda é uma iniciativa nobre. Em muitos países, porém, a adoção não é de forma alguma um processo fácil e direto, mas uma experiência marcada pela presença constante e intrusiva da burocracia. Juliano Peixoto de Pina e Johnatan Pereira de Araújo são um casal homossexual que decidiu adotar uma menina, Aurora, mas a sua história de adoção não é tão animadora quanto se poderia imaginar.

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Johnatan e seu companheiro Juliano conseguiram depois de muito tempo adotar uma menina chamada Aurora, rejeitada por sua mãe biológica e, por isso, dada para adoção. Mesmo depois de ter respeitado todos os trâmites burocráticos, o casal viu o sonho de serem pais e dar uma nova família para aquela criança escapar de suas mãos. Aurora ficou com eles por 12 dias, até que a mulher que inicialmente estava com a guarda provisória decidiu tomá-la de volta e retirar a adoção. A razão? Provavelmente, suspeitam que haja razões homofóbicas por trás dessa decisão. O certo é que Thays Veiga, a "mãe adotiva" da pequena Aurora, que a princípio deu consentimento para que Johnatan e Juliano adotassem a criança, de repente recuou, reivindicando o direito de adotar aquela criaturinha.

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No dia em que Juliano e Johnatan deveriam assinar os documentos que formalizavam a adoção, Thays negou a assinatura e pediu a ajuda de um advogado para iniciar um processo e recuperar a menina. A justiça incrivelmente apurou que existe um vínculo entre Aurora e Thays Veiga, e por isso o juiz ordenou o retorno imediato da criança à mulher. O casal está atualmente travando uma longa batalha no tribunal para ter sua "filha" de volta. Nem é preciso dizer a dor que a falta da adoção trouxe para a vida de Johnatan e Juliano, bem como para a mãe de um dos dois meninos, que tem 78 anos e tem Alzheimer. "Quando a Aurora vai voltar?" a senhora continua a perguntar - para ela, agora completamente submissa à doença, uma pequena luz de esperança se reacendeu quando a pequena Aurora entrou em suas vidas.

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A decisão final caberá ao Supremo Tribunal de Justiça e será respeitada por ambas as partes. Juliano e Johnatan podem ter que se despedir de sua "filhinha" depois de viver 12 dias em família - nesse caso, eles terão que decidir se farão outro processo de adoção novamente no futuro.

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