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Ele salvou 669 crianças judias da deportação…
Querem se casar pela segunda vez, depois que o marido completou a sua transição de homem para mulher Ela tem 4 filhos e não tem dinheiro para pagar os pedreiros: a mãe arregaça as mangas e constrói sua casa sozinha

Ele salvou 669 crianças judias da deportação nazista com viagens de trem: os sobreviventes ainda lhe agradecem

07 Julho 2021 • Por Roberta Freitas
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Os anos entre 1933 e 1945, aqueles em que ocorreu a Segunda Guerra Mundial e a tragédia do Holocausto, estiveram entre os mais sombrios da história contemporânea. Nos livros de história podemos aprender em detalhes a dinâmica de todos os eventos da época, incluindo as batalhas, mas sabemos muito menos sobre a história dos protagonistas individuais que, à sua maneira, fizeram história salvando centenas de vidas humanas. Um deles se chamava Nicholas Winton, um homem que com sua coragem conseguiu salvar 669 crianças judias na Tchecoslováquia ocupada pelos nazistas, levando-as para a Inglaterra, seu país de origem. Nicholas Winton não contou nem para a sua esposa Grete sobre o que havia feito naqueles anos, tanto que a mulher descobriu apenas em 1988, quase por acaso, a história daqueles resgates, remexendo em velhos baús no sótão: para Nicholas tinha sido algo normal, nada heroico, pelo contrário - gostaria de ter podido salvar muitas outras crianças!

Nicholas Winton nasceu em Londres em 1909, em Hampstead, filho de pais judeus alemães que emigraram para a Inglaterra apenas dois anos antes de seu nascimento. Nos anos imediatamente anteriores à eclosão da Segunda Guerra Mundial, Nicholas pode vagar pela Europa entre Paris e Praga, onde foi convidado por um amigo em dezembro de 1938 para colaborar com o Comitê Britânico para Refugiados da Tchecoslováquia. É nesta ocasião que Nicholas e outros voluntários planejaram a fuga de centenas de crianças, salvando-as da morte certa. Devemos lembrar que tudo isso foi possível porque, depois da "Noite dos Cristais" que aconteceu em 1° de novembro de 1938, o Parlamento inglês aprovou uma lei sobre o recebimento de refugiados menores de dezessete anos. Mesmo assim, conseguir trens infantis para a Inglaterra não foi uma brincadeira: a Holanda fechou suas fronteiras logo depois de 1º de novembro de 1938, evitando assim que pequenos refugiados embarcassem para Londres. Nicholas, no entanto, conseguiu fazer com que dois trens saíssem graças a passes do governo britânico, salvando a vida de 669 crianças. O terceiro trem deveria partir em 1º de setembro de 1939, mas já era tarde demais: Hitler tinha invadido a Polônia e com a eclosão do conflito mundial, todas as fronteiras foram fechadas.

Nicholas nunca falou daquelas crianças que, graças a ele, foram salvas e tiveram a oportunidade de começar uma nova vida na Inglaterra, mas em 1988 sua esposa Grete encontrou algumas fotos e alguns documentos escondidos no sótão, entre a poeira. Ela descobriu que seu marido tinha salvado vidas durante a guerra e decidiu contar ao mundo a sua história. Assim, a mulher escreveu à BBC, sem ser descoberta pelo marido, e algum tempo depois convidou Nicholas para participar da audiência de um programa de televisão. Ele não sabia que nesse episódio os holofotes estariam sobre ele e sobre as duas senhoras que estavam sentadas ao seu lado: duas das meninas que ele mesmo salvou graças àquelas trens da esperança. A maior surpresa, porém, foi dada a ele alguns meses depois, novamente durante o mesmo programa de televisão da BBC. Nessa segunda ocasião, o apresentador do talk show pergunta abertamente: "Quem mais nesta sala deve sua vida ao Sr. Winton? Por favor, levante-se". Todas as pessoas sentadas ao lado de Nicholas se levantaram e revelaram que eram aquelas crianças que Nicholas havia salvado. Nem é preciso dizer que foi um momento extremamente comovente.

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O momento em que Nicholas descobre que está sentado ao lado de uma das "garotinhas" sobreviventes

Nicholas guardou esse segredo para si mesmo por 40 anos, em parte porque acreditava que só havia cumprido seu dever e em parte, talvez, porque tinha o remorso de não ter feito o suficiente: gostaria de ter feito muito mais. Nicholas recebeu muitos títulos e prêmios merecidos por seu compromisso humanitário: a Rainha Elizabeth fez dele um baronete em 2003; em 2010 ele foi reconhecido como "herói britânico do Holocausto" pelo governo britânico; em 2008, o governo tcheco o propôs como candidato ao Prêmio Nobel da Paz, que Obama ganhou; em 2009, para seu 100º aniversário, foi organizado um trem especial de Praga a Londres, no qual participam muitas das crianças resgatadas, agora com filhos e netos; finalmente, em 2014, o governo tcheco decidiu conceder a ele o título de Leão Branco, a maior homenagem nacional.

Nicholas sempre afirmou que não é um herói, porque "ele nunca esteve realmente em perigo", mas o fato é que muitos daqueles sobreviventes hoje continuam a agradecer pelo que ele fez: sem ele, nunca teriam conhecido a vida adulta.

image: Wikimedia

Nicholas morreu em 1º de julho de 2015, aos 106 anos, mas sua memória e compromisso serão lembrados para sempre.

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